domingo, 16 de maio de 2010

Manaus – parte 2 (domingo e segunda)

Domingo

Pequeno-almoço na casa nativa, onde me deram a provar tucumã (terá o seu próprio post). Saída para a caminhada na floresta, artilhadas de muito repelente e avisos que de os mosquitos “iam rir do nosso repelente gringo”. Foi um bocado verdade...

Andámos bastante tempo de canoa e ainda fizemos uma paragem na comunidade onde o Zé vive, com os tios (?). Era um cais com uma estrutura tipo casinha, um barco, montes de cães ansiosos para entrar nas canoas, um papagaio verde e...tcharã...um grande écran plasma. Surreal, no minimo, encontrar alta tecnologia (e cara tecnologia) no meio daquela hmmm...bem...pobreza. Ao chegarmos lá vimos uma cena mesmo engraçada que tenho pena de não ter fotografado...Iam 2 homens numa canoa, em cada ponta, e à vontade uns 5 cães de todos os tamanhos e feitos entre eles, perfilados! Pelos vistos os cães cá gostam mesmo muito de andar de canoa. Os outros dois que ficaram na comunidade estavam sempre a ver se colava ficarem na nossa...

Depois desta paragem (sabe-se lá bem porquê) entrámos numa zona de igarapés bem bonita. A Mariana fartou-se de tirar fotografias espelho de água.



Atracámos lá num sítio qualquer e o Zé foi esconder as canas de pesca (literalmente canas, caniços, paus!). O barco ficou onde estava, bem visível...roubam canas mas não roubam barcos? Será algum código de respeito local? Só pode...

A caminhada foi feita num trilho e ainda nos cruzámos com outros turistas mais o respectivo guia. Andámos a provar plantas medicinais (cascas de árvores e folhas) e vimos tarântulas e morcegos. E pássaros, claro. E não vimos mas sentimos mosquitos, apesar de nos termos encharcado de repelente mais ou menos cada 5 a 10minutos. A selva é muito abafada e quente.



(natureza em terra firme; canoa e passageiros; relaxar em alto rio; grandes papos na testa porque o repelente gringo não funciona...)

De lá voltámos ao flutuante onde encontrámos novos visitantes e esperámos os que tinham ido dormir na selva. Como é obvio demos um mergulhinho no rio, para refrescar! Estivemos na conversa, almoçamos peixe outra vez e quando os outros chegaram descobrimos que o flutuante tinha sido assaltado durante a noite e que algum dinheiro tinha sido roubado das mochilas das pessoas que tinham ido dormir na selva. Ninguém estava no flutuante, o que foi bom, até porque queimaram a cozinha (não vi; deve ter sido pouco antes de uma das chuvadas, já que não ardeu tudo). Supostamente, caso tivessemos cumprido o plano original e dormido no flutuante, estariamos só nós e o Zé lá, para receber os ladrões. Sorte sorte sorte! À custa desta situação o nosso regresso a Manaus foi adiado umas horas e ofereceram-nos um passeio de canoa para passar o tempo. Foi óptimo! Tínhamos andado a falar constantemente de ver preguiças e macacos e era a nossa grande oportunidade! O Zé esteve à altura do desafio e a dada altura encosta a canoa a uma árvore e começa a subir, feito louco. Quando finalmente desceu vinha com uma preguiça! Grávida (segundo o Zé)! Fizemos uma sessão fotográfica com o bicho que depois voltou à árvore. Continuámos a canoagem, muito silenciosa, modo busca-de-animais, pelo meus dos igarapés, atrás de macacos. Conseguimos ouvi-los e, seguindo o som, eventualmente vimos alguns, pequeninos e meios amarelos! Também ouvimos outra espécie de macaco que parecia que estava a imitar o King Kong com micro e colunas! Supostamente também vimos um jacaré grande (digo supostamente porque era na outra margem e ACHO que o que eu estava a ver a mexer-se seria o jacaré mas também podia ser um tronco a boiar).



As 17h fomos para o acampamento e apanhámos a lancha de regresso. Já estava noite quando chegámos a Manaus e apanhámos um táxi para o hotel da Mariana. Tomámos banho (estavamos MESMO a precisar) e fomos jantar ao Shopping Manauara. Depois apanhei um ônibus (depois de andar entre paragens a procura da certa) e com a ajuda de uma rapariga com cabelo laranja e muito eyeliner lá consegui ir para o hostel. Que, digamos, é um hotel mas na verdade é uma espelunca. Fechei-me no quarto, liguei a ventoinha, pus os tampões de ouvidos e dormi mais ou menos bem até as 7h.



Segunda

Pequeno-almoço no hostel/hotel/espelunca (pão com margarina e café com leite) e fugir o mais rapidamente possível. Depois foi vaguear por Manaus, passando pelo turismo à beira do Teatro Amazonas para descobrir as minhas opções de segunda-feira. Não eram muitas, mas ainda fui ao museu Amazônico (que tinha um grande conjunto de posters sobre os descobrimentos e Camões, curiosamente, e um andar com artefactos índios), ao museu Índio (montes de artefactos mas acho que não vale os 5R$; já a loja de souvenirs é bem fixe) e ao Teatro Amazonas (mesmo giro e super luxuoso; a guia era muito simpática e ainda pude ficar por lá um bocado a assistir ao ensaio). Andei pelo centro no meio da multidão (mercado municipal e biblioteca pública em restauro), passei no parque que rodeia o centro cultural Palácio Negro (bem bonito, pena é o rio ser fossa autêntica), fui comer gelado à Glacial (famosa em Manaus; açaí, tucumã, milho verde, tapioca, castanha do brasil), comprei postais em várias bancas e souvenirs em várias lojas e pouco depois das 14h já estava sem coisas para ver.

 

(teatro Amazonas e redondezas)

 
(interior do Teatro Amazonas, em ensaio)

(museu Amazônico; biblioteca pública)

(praça 7 de Setembro; hospital beneficiente português!)

Deambulei mais um bocado, até que desisti de andar e fui apanhar um ônibus. A minha ideia era apanhar o que vai para o aeroporto, para ficar a saber onde era a paragem. E foi aqui que cometi o grande erro.....perguntei lá dentro do ônibus qual seria a melhor paragem para ir para o Manauara (segundo o googlemaps a rua por onde o ônibus é paralela à do shopping e a cerca de 20min a pé, por isso não poderia ser assim tão inviável) e primeiro não sabia e depois já sabia mas era muuuuito longe. Como cá há uma tendência para acharem tudo longe, quando é para andar a pé, decidi não ligar e sair nesse mesmo sítio. Andei imenso tempo a pé, perdi-me, encontrei a rua certa e perdi-me outra vez. Conclusão: táxi. E ainda bem, porque o táxi fez logo inversão de marcha, isto porque eu estava a andar no sentido oposto. Boa...

Fui ao Carrefour lanchar (só têm baguette com sementes de sésamo – fiquei muito chocada!) e andei a pastar pelo Shopping a espera da Mariana. Comprámos a prenda da Odília por lá, jantámos, e fui tomar banho e buscar umas coisas ao quarto dela.

Depois parti, para a nova saga de chegar ao aeroporto de transportes públicos. O filme foi semelhante ao anterior: para uns era perto, para outros era longe. Acabei a apanhar dois autocarros e lá fui dar ao aeroporto, sã e salva, quase 2horas depois. Depois foi o normal: avião + transfer (o primeiro só sai as 6h30 logo esperei 1h30 em Guarulhos) + ônibus + ônibus + casa + onibus + trabalho. Cheguei a São Paulo as 5h e ao trabalho às 9h30. Viajar dá muito trabalho...

Ah, graças a esta saga toda fui finalmente à banquinha da senhora que vende café e bolo em frente lá em frente a casa. Café com leite e uma fatia de bolo de abacaxi gigantesco por 2R$. Soube-me pela vida!

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